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Porque você deveria conhecer o Ártico

Chicco Mattos, ártico
escrito por Kenia Miranda

Você moraria no Ártico? Você mudaria de cidade? De país? Mudaria o corte de cabelo? Trocaria de emprego porque não está feliz no atual?

Talvez você nunca tenha nem pensado nestas possibilidades. Então, eu pergunto: Você hoje, vive ou sobrevive?

Antes de falar sobre o Ártico eu quero contar uma história. Você já ouviu falar da síndrome da gaiola de frangos? Os frangos eram estocados na gaiola por cerca de 12 meses e um belo dia a gaiola era aberta. O que acontece? A maioria deles segue dentro da gaiola, alguns saem um pouco e minutos depois voltam para o “conforto” da sua “casinha”.

Talvez você possa estar pensando: O que o comportamento das galinhas tem a ver comigo? Sei que pode ser difícil para você se identificar, mas saiba que aqui existe um problema.

Nós temos um mecanismo de defesa para mudanças. Então, quando pensamos em novas possibilidades, muitas vezes recuamos. Assim, o medo do novo nos faz criar desculpas para evitar as mudanças. É mais fácil ver o mundo através da gaiola de frango. Sem dúvida se gasta menos energia.

Confesso ser aquela pessoa que NECESSITA estar em movimento. Terminar ciclos e iniciar ciclos. E após cursar algumas das disciplinas de Neurociência, consigo entender os benefícios de novas experiências. E hoje vou explicar também um pouco sobre isso.

Porque vamos falar do Ártico?

Primeiro porque acreditamos que a viagem tem o poder de realizar conexões, inclusive cerebrais. Sem dúvida, quando lidamos com a natureza mais selvagem, descobrimos muito sobre nós mesmos. Modificamos nossas células, nossos pensamentos e nossos comportamentos.

Chicco Mattos, ártico
Foto: @chiccomattos

O que buscamos ao viajar é sentir algo e viver intensamente cada segundo. E o Ártico convida você a viver, não aquelas experiências que milhares de pessoas já experimentaram, mas sim, convida a viver o seu momento. Afinal, cada momento é único.

Muitas pessoas buscam um turismo de aventura, mas, porque alguém resolveria se mudar para um lugar onde as temperaturas são baixíssimas, a natureza ainda tem o seu lado selvagem?



A história do Chicco, aquele que mora no Ártico

Para abordar o assunto eu quero falar hoje sobre o Chicco Mattos. Um brasileiro, de Passo Fundo – RS, que saiu do Brasil com 17 anos. Primeiro, foi comissário de bordo. Depois, se formou em Relações Públicas. E sempre carregou um desejo de viajar pelo mundo.

Então, para começar a viajar, se tornou um “barman” num navio, que ia do Alasca à Austrália. No Alasca, ele teve o seu primeiro contato com o gelo, geleira e uma natureza bruta.

A Austrália, entretanto, teve um impacto tão grande na sua vida, que ele resolveu retornar ao país para estudar e assim ter um pouco mais de tempo e contato com as pessoas e a natureza daquele local.

Durante o seu curso, conheceu a sua esposa, que ele define como “cidadã do mundo”. Ela o convidou para viajar e assim eles fizeram por um ano. Quando o dinheiro acabou, uma amiga do casal, que eles conheceram na Austrália, estava morando e trabalhando no Ártico e sugeriu a eles encararem o local.

Chicco Mattos, ártico

A intenção inicial era passar algum tempo, por volta de 3 meses, fazer dinheiro, para seguir no mundo das viagens. Mas, durante 11 anos eles permanecem na região.

Estão presos. Sim, presos pela beleza da natureza, presos pelas possibilidades de viver intensamente todos os dias. Presos nas possibilidades de estimular os seus cérebros diariamente.

Aprendendo a sobreviver no Ártico

Vamos falar sobre a palavra sobreviver. Eu sempre desejei no fundo do meu coração, não sobreviver e sim, viver. Viver intensamente cada segundo.

Eu vejo as pessoas vivendo como máquinas, isso para mim, é sobreviver. Acordam, trabalham para pagar suas contas, muitas vezes de coisas que não necessitavam e após um longo dia, vão dormir. Para no outro dia, se levantarem e fazer tudo igual novamente.

Após uma deliciosa conversa com o Chicco pelo telefone, ele me fez desejar SOBREVIVER. Não como eu acredito que as pessoas fazem, mas no sentido de desejar tanto viver, que preciso aprender a sobreviver.

Ele me contou, que certa vez estava com um amigo na sua moto-neve e por um descuido, o amigo tomou um outro caminho, porque viu umas luzes, e então desejou ir ao encontro delas. O problema era que no meio tinha um lago congelado.

Chicco Mattos, ártico

Entretanto, o mesmo não estava muito bem congelado. Então, entraram no lago a mais ou menos 120-130 km/h. Infelizmente o gelo estava liso e a moto começou a rodopiar. O Chicco decidiu saltar da moto, no instinto, e ao bater os pés no gelo, o mesmo se rompeu. Assim ele caiu na água.

E neste momento ele pensou: “Meu Deus, eu vou morrer assim? Eu nunca imaginei como seria a minha morte!”

Na sequência ele me contou, que veio uma força de dentro dele e ele pensou: “Não. Eu quero viver. Eu tenho que sair daqui.”

Neste momento ele ativou todas as células do cérebro para agir rapidamente e SOBREVIVER

Assim, ele usou toda a sua força para sair do lago, ligar a moto e voltar rapidamente para casa. Parece simples. Mas lembre-se que ele estava no Ártico, a uma temperatura de -20°C. E teria que percorrer aproximadamente 70 km até chegar em casa.

Chicco Mattos, ártico

Quando estamos num lugar frio, existe uma diferença entre a temperatura real e a sensação térmica. Além disso, ele estava molhado e com um vento frio batendo no seu rosto e corpo. E quando se está molhado, toda essa água começa a congelar. Mas, a única coisa que ele pensava era em sobreviver.

Foi essa experiência que fez a vida dele dar uma girada para sempre. Assim, ele mudou a sua maneira de pensar e se comportar.

Depois daquele dia ele nunca mais ficou muito, muito triste. Porque essa experiência fez com que ele entendesse de alguma forma a proporção das coisas. Ou seja, o que é um problema de verdade e o que não é. E analisar, quanto drama a gente faz na vida.

Acreditamos que você pode mudar sua linha de pensamento, sem tem que passar por nada traumático. Mas, também acreditamos, que estes momentos são agentes impulsionadores para mudanças extremas de comportamentos e pensamentos.

Tecnologia é vida, será?

Calma, ainda vou chegar no Ártico. E você terminará este texto com uma vontade imensa de conhecer dois grandes arquipélagos de território norueguês.

Mas antes vamos falar da tecnologia? Não sei o que você pensa a respeito da vida e da expansão rápida da tecnologia. Vejo cada dia mais as pessoas dando atenção para o que acontece no seu exterior e não se preocupando com o seu bem estar. Com a sua saúde mental e com a saúde mental dos seus familiares.

Sem dúvida a tecnologia tem ajudado em muitos fatores, mas seria inocente pensarmos que tudo é benéfico em relação a ela. Estamos perdendo uma das nossas melhores e mais importantes capacidades: a da Atenção focada.

Excesso de informações

Assim ficamos o tempo todo buscando informações, numa velocidade altíssima, nos tornando pessoas com tendências a executar multitarefas. Mas a verdade é que o cérebro não consegue fazer duas tarefas, com qualidade, ao mesmo tempo.

As pessoas estão cada dia mais, vendo o mundo através de uma tela e também vivendo para uma tela. O almoço em família virou atração. O filho chorando de medo de algo virou atração. As relações amorosas e desastrosas viram atração.

Enquanto isso, o viver está deixando de existir. O sentir já não é importante. As emoções estão sendo reprimidas, já que para entrar num padrão, devemos seguir um padrão.

Ao conversar com o Chicco, ele falou uma frase que eu adoro. “Estamos nos tornando professores e doutores do que não vimos.”

Isso mesmo, muitas vezes estamos tão focados e concentrados em mostrar, que deixamos de experimentar. Outras vezes, acreditamos que realmente conhecemos um local, através de um relato de outras pessoas.

Então, como sempre falamos por aqui no Agarre o Mundo: Vá ver o mundo com seus próprios olhos. Viva o seu momento. E o no próximo tópico vou falar como o Ártico pode lhe fazer um bem enorme.

A vida real no Ártico

Se você ainda não assistiu nenhum vídeo do Chicco Mattos, faço esse convite. Se tem algo que a tecnologia nos proporciona de valioso, é a possibilidade de ver a vida como ela realmente é em alguns perfis reais.

O Chicco fala muito disso nos seus vídeos e usou exatamente essa frase na nossa conversa, quando eu lhe perguntei o que atraia tanto na região: “A vida real.”

Eu me perguntei no momento: Que vida real? Eu não vivo uma vida real?

Ele seguiu: “A vida real. Eu gosto de morar isolado. Não gosto de morar onde tem um monte de gente. Eu gosto de ver a natureza na minha janela, não um monte de casa.

O primeiro passo é o seguinte, você sai de casa. Então, você se torna responsável por você mesmo. Não dependo de um guardinha na rua para falar o que é certo ou errado. Se você está seguro ou não. Se tem um sinal correto ou não.

Para mim, é um luxo estar sozinho nos lugares.

Alces no Ártico

Aqui eu saio e encontro por exemplo, um alce. Não sei se você tem noção do que pode acontecer num encontro como esse.

Por exemplo, uma rena é como um cachorro, que você encontra na rua, ela não vai lhe fazer nada.

Mas um alce é diferente, ele pode atacar, principalmente se estiver com um filhote. Então, você tem que saber, o que fazer e como se proteger”

O cérebro e novas experiências

O Chicco me falou que viver no Ártico é diferente de tudo. Não é tudo igual todos os dias. As vezes, você está num local onde tem gelo, então, você começa a caminhar sobre ele. De repente dá uma rajada de vento e esse gelo se rompe. Aí mora o perigo! Se você não for rápido, uma nova camada de gelo pode se formar por cima e você ficar preso ali. E provavelmente vai morrer.

Chicco Mattos, ártico
Foto:@chiccomattos

Por conta disso, ele já fez vários cursos de sobrevivência, para lidar com as situações adversas. E uma frase dele, me fez sentir vontade de falar um pouco mais sobre a neurociência do viver novas experiências.

Chicco: “Eu me jogo lá fora, para cada vez, ter uma experiência diferente. Para cada vez viver estes segundos como se fossem horas.”

Quando viajamos, ativamos o nosso cérebro e como estamos num lugar diferente, ficamos mais atentos. E áreas que até então estavam no modo automático são religadas.

Vou dar um exemplo para você ver como funciona. Já percebeu quando viajamos para um lugar desconhecido de carro, a ida parece demorar muito mais do que a volta? Isso acontece, mesmo que o tempo gasto seja igual.

Porque o nosso cérebro está gastando energia para observar e ficar atento ao novo. Por isso, muitas pesquisas alegam que viajar nos deixa mais inteligentes, mais ativos e introspectivos.

Vamos falar do turismo no Ártico

Se você é amante da natureza, certamente vai se apaixonar por estes locais. Arquipélagos localizados no Ártico, de território norueguês, são também parques nacionais.

Chicco Mattos, ártico
Foto: @chiccomattos

Perguntei ao Chicco, o que ele julgava importante falar para você que está lendo este texto.

“Que você venha para o Ártico com a cabeça aberta. Geralmente os turistas vêm com a mesma mentalidade de casa, ou seja, com a cabeça fechada. Então, chegam aqui e dizem: “Ah, eu não faço isso. Não como aquilo.”

Venha com a cabeça aberta para provar coisas diferentes. Dormir em horários diferentes. Tudo diferente, é isso que eu digo para as pessoas, venham com a cabeça aberta, para fazer coisas diferentes, porque você também é diferente em outro lugar. Suas células reagem diferente no sol, na umidade ou no ar seco.

Então, tome mais água, durma mais tarde, veja o sol da meia noite. Se vier no inverno, veja a aurora boreal.”

Svalbard

Esta é a cidade mais ao norte do mundo. E se brincar é uma cidade do mundo, já que conta com pessoas de todos os lugares. A saber, mais de 50 nacionalidades.

Existe uma grande rotatividade de pessoas e poucas pessoas ficam. Mas a natureza selvagem, o gelo e a liberdade que isso tudo causa fez o Chicco morar na cidade.

Lá ele teve contato com animais que nunca imaginou ver na natureza. Sentiu na pele a energia do lugar e decidiu que era ali que ele desejaria morar por um tempo.

E o que ele diz sobre a região: Conheça Svalbard, vá pelo menos uma vez na vida ver a natureza e sentir a liberdade modificar as suas células.

Importante: Em Svalbard é necessário, ter um guia ao lado para realizar atividades de aventura, já que tem muito urso polar. Para se ter uma ideia, não se pode sair sem uma arma fora do perímetro da cidade.

Svalbard, Ártico

Lofoten

Esta é a cidade em que vive o Chicco hoje. Sem dúvida, este é um dos cartões postais da Noruega.

Dica do Chicco para conhecer Lofoten: Alugue um carro e percorra todo o arquipélago, pela única estrada que existe e que atravessa toda a ilha.

Lofoten, ártico
Foto: @chiccomattos

Certamente você vai encontrar algumas das montanhas mais antigas do mundo. Algumas com 4 bilhões de anos. De fato, quando você chegar ao pé de uma montanha destas, sentirá a energia que existe neste lugar.

Aqui você encontrará as montanhas, os fiordes, o mar claro, isso no verão e no inverno, ainda tem a aurora boreal.

O verão, sem dúvida, é a época mais bonita para se conhecer. Entretanto, não tem aurora boreal. E olha que experiência única ir neste período: só tem dia, não tem noite.

Mas no inverno, vale a pena a partir de fevereiro, porque a neve já “assentou”, possibilitando ao turista fazer mais atividades na neve. E o tempo já está mais estável.

Caiaque em Lofoten, ártico

Algumas atividades são “obrigatórias” em Lofoten, como por exemplo, caiaque ou passeio de barco.

Porque o mar é muito claro, você entra em ilhas e fiordes e irá se deslumbrar com a beleza destes locais.

Reflexão que o Chicco me trouxe e repasso para você

O que você tem feito com a sua vida?

Chicco Mattos, ártico

Já parou para pensar, que muitas vezes trabalhamos para ter dinheiro, para nos curar das doenças causadas pelo número de horas que trabalhamos?

Trabalhamos para pagar uma pessoa para nos dizer que precisamos nos movimentar, pois o corpo precisa de movimento.

O Chicco me contou que ele mesmo construiu a própria casa. E por conta disso, fez as atividades físicas diárias sem a necessidade de ir até uma academia para movimentar o seu corpo.

Sempre digo, que somos ignorantes até começarmos a compreender um fato. O Chicco falou: “No Brasil, achamos feio quando as pessoas fazem suas próprias coisas, então, trabalhamos para pagar alguém para fazer.”

Então, me veio a cabeça uma conversa que tive com um grande empresário anos atrás e ele me disse: “Kênia, eu trabalho para pagar o meu exército. Eu tenho uma casa grande, preciso de duas pessoas para limpar, um piscineiro que vai de 15 em 15 dias, limpar uma piscina, que não entramos há mais de um ano. E um jardineiro. E minha mulher, às vezes me fala que trabalho demais. Mas como seria se eu não o fizesse. Trabalho para que todos tenham mais conforto.”

Perceba como esse empresário tem consciência que trabalha para manter o seu exército, mas ainda não percebeu que está pagando tudo isso com seus dias de vida. Que trabalha tanto, que não tem tempo para aproveitar o tal do conforto. Que está obeso, porque não consegue ter tempo para comer direito e praticar os exercícios físicos que seu corpo precisa.

Passos pequenos todos os dias

O Chicco me falou algo que super concordo: “Não compramos nada com o dinheiro, compramos com o tempo que gastamos para obter aquele dinheiro. E o tempo não volta.”

Então eu pergunto: Como você tem lidado com o seu tempo? Afinal, como dizem as pesquisas, gastamos nosso tempo com o que é importante para nós. Será que a vida do vizinho, o que ele comeu ou onde ele foi é mesmo tão importante para você?

Será que o tempo que você gasta nas redes sociais é mais importante que o tempo e o sorriso que você ganha ao se sentar para brincar com seus filhos?

E como sugere o Chicco: Que tal fazer cada dia algo diferente? Não caminhar pelos mesmos lugares, não comer sempre as mesmas coisas. Assim, você ativa o seu cérebro diariamente.

E então, sentiu vontade de conhecer estes destinos no Ártico?

Eu lhe faço um convite ao visitar qualquer destino: Sinta o lugar. Observe a energia dos lugares turísticos, mas principalmente, olhe para as suas emoções. Viajar é maravilhoso, mas se conectar com você mesmo não tem preço.

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Beijinhos e até mais

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Kenia Miranda

Brasiliense, sempre disposta a aprender e descobrir o novo, com um apreço enorme por novas culturas e costumes. Apesar de ser formada em Odontologia, está sempre buscando novos caminhos e novos aprendizados. Uma das suas frases preferidas: "Minha alma é muito livre para ficar presa seja lá no que for."

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