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O real sentido de pertencimento

Dançarinos Mexicanos, Agarre o Mundo
escrito por Larissa Vieira

Hoje vamos falar sobre o real sentido de pertencimento. Quando somos crianças, aprendemos na escola a história do nosso país. Vivemos intensamente a cultura da nossa região no nosso dia a dia. Vemos pela televisão os nossos personagens de destaque e escrevemos uma nova página na história da nossa nação a cada instante.

Esse conhecimento que revoluciona e se adquire diariamente molda as nossas bases. E faz parte de quem somos, e às vezes até de quem queremos ser. É uma mistura de nacionalismo, com assuntos rotineiros (jogos de futebol, novelas, programas de televisão, música) que são enredo do lugar onde você nasceu.

Mas como nada na vida é estático, todo mundo muda! E às vezes muda de cidade, de região ou até mesmo de país. E essa mudança pode vir acompanhada de muitos altos e baixos.

É comum no início sentir uma forte atração por conhecer a cultura local, abrir horizontes e expandir a nossa mentalidade do que conhecemos como mundo. É um “boom” de informação que nos faz crescer, repensar crenças e traz consigo muitas aprendizagens.

A falta de pertencimento

Máscaras mexicanas, Agarre o Mundo

Porém, com o passar do tempo, às vezes se sente uma síndrome da “falta de pertencer”. Acontece, que por mais que você aprenda e se misture com a cultura do seu novo lar, as suas raízes não cresceram aí.

E quando você vai visitar seu país natal, você não consegue estar 100% atualizado sobre as novidades e a rotina do lugar. Lugares mudam, programas de televisão mudam, famosos mudam, pessoas mudam… e a pessoa parece que já não pertence nem aqui nem lá.

Confesso, por experiencia pessoal, que depois de uns 3 anos aqui no México, comecei a sentir que estava perdendo raízes. Quando voltava para o Brasil, já não sabia a música da moda, saia com amigos e falavam de programas que eu nem sabia que existiam, às vezes já nem sabia a classificação do meu time no brasileiro.

E isso me deu um vazio por dentro, me sentia menos brasileira e, por óbvias razões, não me sentia mexicana. Parecia que já nenhum lugar era minha casa, que eu era um “meio a meio” que não formava um inteiro.

Conversei com muitos imigrantes sobre o assunto, e percebi que era um sentimento muito comum; a grande maioria passava por esse tipo de situação e sentia que a magia do “morar fora” tinha acabado, ao mesmo tempo que o voltar para casa não era atrativo, o que a gente conhecia como casa já não existia mais.

E tudo isso se multiplica quando algumas pessoas pensam que quando você muda de país, acaba esquecendo de onde veio… E com certeza não é assim!

O real sentido de pertencimento

Home Sweet Home

Quando a gente muda, geralmente é porque tem algo novo que pode nos ajudar no nosso processo de evolução. Mas uma grande parte do coração fica na nossa terrinha: aquele amor, carinho e preocupação que sempre vem com a gente!

É nesse momento de reflexão que a gente percebe que as nossas raízes na verdade são internas, a gente pertence mesmo é “dentro da gente”.

E essa nossa casa, que passa por muitas mudanças ao longo da vida, ninguém tira. É quando a gente percebe que as nossas raízes a gente mesmo cria, que a nossa casa pode ser qualquer lugar, contanto que nos sintamos bem por dentro, que o nosso pedacinho seguro seja a nossa própria consciência.

E é quando a gente percebe que a nossa vida flui quando absorvemos o que é positivo, quando conhecemos o novo, respeitamos o velho e fazemos a nossa própria mistura do que é o nosso propósito de vida.

É quando a gente percebe que mais que um lugar para chamar de “meu”, a gente cresce cultivando amor por onde seja que o nosso caminho nos leve.


Que excelente reflexão sobre pertencimento em uma cultura

Gostou do texto da querida Larissa? Certamente que seus textos nos faz refletir e ver a vida sob outra ótica. Assim como o seu texto, Mudar ou não de país, eis a questão, o texto de hoje que fala sobre o real pertencimento a uma cultura, nos faz sentir a experiência, sem realmente vivenciá-la.


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Beijinhos e até mais



Larissa Vieira

Tenho muitos títulos: brasileira, residente mexicana, engenheira de formação, mãe e diretora de planejamento estratégico. Mas acima de tudo, sou cidadã do mundo que luta por dias melhores, mais igualitários e cheios de caridade.

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